11/02/2019 - Encontro discute gastronomia como motor do segmento turístico

 

Tádzio França - Repórter/ Tribuna do Norte

Bem estar social, alimentação saudável, marketing de qualidade na internet, sustentabilidade, e respeito aos animais são pautas contemporâneas que costumam surgir com frequência em muitas ocasiões. Todas elas e outras mais vão se relacionar durante o 33º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), de 26 a 28 de março no Wish Resort, Via Costeira. A edição de 2019 tem como tema “O Negócio do Turismo é a Gastronomia”, e vai reunir chefs, empresários, jornalistas e social medias em torno de palestras, cursos e degustações. Os assuntos abordados prometem uma edição sintonizada com diversos segmentos e interesses.

O encontro da Abrasel para este ano foi pensado para estar em harmonia com variados interesses do mercado, segundo Artur Fontes, atual presidente da entidade no estado. “O evento foi dividido entre três setores chave: gastronomia, gestão e tecnologia. São assuntos que consideramos essenciais nos dias de hoje, e que podem se relacionar de muitas formas. Pensamos nas demandas nacionais e regionais”, explica ele, ressaltando que o encontro visa levar conhecimento não só para os associados, mas também dividi-lo com a sociedade através de ações.


A ginga com tapioca da Casa de Taipa ilustra a arte de fotografar o alimento, que ganhou excelência pelas lentes do Menu Studio

A ginga com tapioca da Casa de Taipa ilustra a arte de fotografar o alimento, que ganhou excelência pelas lentes do Menu Studio

A Abrasel visa em especial o desenvolvimento do setor denominado AFL – Alimentação Fora do Lar, tido como o que mais emprega no país e  tem o maior potencial de geração de novos postos de trabalho. Por isso, ressalta Artur Fontes, a gastronomia ocupa o lugar central nos assuntos debatidos no evento. “Esse ano daremos mais atenção à cozinha saudável, como a slow food da pesquisadora Adriana Lucena, e o veganismo sustentável proposto pela chef Débora Sá”, cita.

Entre os palestrantes que falarão bastante sobre suas experiências com gastronomia estão o potiguar Paulo Barroso,  administrador da rede de pizzarias Famiglia Reis Magos; a chef e empresária Carol Melo, proprietária da doceria Caroli Douces; Kize Santos, sócia do restaurante Meu Barraco Boteco Bistrô; Maria Fernanda Tartoni, fundadora do Tartoni Ristorante (RS), entre outros que a programação ainda está a programar.

Repartindo o pão

Uma das palestras mais interessantes promete ser a do carioca Alex Duarte, que além de renomado padeiro artesanal e proprietário da Padoca do Alex, mantém um projeto onde alia seu talento com massas a uma bela causa humanitária. Em “A Gastronomia Social na África e seus Impactos”, o padeiro vai falar sobre suas ações e experiências. Alex explica que a “gastronomia social” é um ramo que utiliza a comida como ferramenta de diminuição da desigualdade, e a enxerga como um meio de transformação social.

O padeiro conta que se engajou nesse movimento quase por acaso. “Recebi um convite do meu tio para fazer um trabalho social em uma aldeia em Moçambique, na África. Trabalhava com TI na época, mas fazia pão como hobby. Então fui ensinar aos jovens a fazer pães com fermentação natural. Depois que fiz a primeira viagem, percebi que a minha ligação seria para sempre. Não há como ir e não se envolver”, diz.

Hoje o projeto de Alex Duarte  mantém uma padaria no meio de uma aldeia em Quelimane, uma província da Zambézia, em Moçambique. Essa padaria alimenta 80 crianças órfãs e vulneráveis, além de 40 idosos. O projeto também objetiva usar o pão como fonte de renda para a aldeia. “Parte da produção dos pães é vendida na cidade. Todo valor é revertido para o próprio projeto”, ressalta o padeiro. É a própria definição de sustentabilidade em ação.

Alex Duarte acredita que o convite da Abrasel para falar sobre sua profissão e seu projeto é a prova de que o ingrediente social já permeia nos negócios e o no turismo. “Existem muitos turistas fazendo viagens sociais, que não querem saber de grandes centros ou lugares turísticos, querem servir ao próximo em lugares remotos de extrema necessidade. Esse é o caminho! Precisamos direcionar o nosso olhar para o próximo”, afirma.

Quanto aos negócios, ele vê que cada vez mais as pessoas estão se importando sobre  como as coisas que consomem são produzida, e o impacto que o produto causa no planeta. “Estamos mudando, e as relações precisam mudar”, diz. Baseado nisso, Alex também acha que a panificação artesanal não tem interesse em se igualar à panificação industrial. “São mundos opostos, totalmente distintos. O fato da panificação artesanal estar em alta é justamente porque as pessoas estão descobrindo isso! Perceberam um produto com mais qualidade e também mais saudável”, afirma.

Novas visões de gastronomia também serão apreciadas na palestra “Gastronomia Vegetal Sustentável”, da nutricionista funcional e 'ecochef' Débora Sá. Ela é conhecida em Natal por seu trabalho à frente da Cozinha Ecológica, uma empresa dedicada à gastronomia vegana e sustentabilidade que atende como restaurante, espaço para cursos e fabricação de produtos. A chef também atuará numa cozinha show, ensinando o público a fazer um cheesecake de queijo de castanha de caju fermentado. Já Rayane Azevedo Fernando Liberato vão mostrar como é o trabalho da Menu Studio, espaço dedicado apenas à fotografia de comida.

Amigos dos pets

A Abrasel também se abriu em 2019 para um dos segmentos em maior ascensão no momento: o pet. A palestra “Conceito pet friendly: como adequar seu negócio a essa nova tendência mundial do mercado”, a cargo de Lurdinha Alencar, pretende orientar os estabelecimentos comerciais em hospitalidade animal, adequando-os a essa nova tendência do mercado. Lurdinha faz parte de um grupo de profissionais da área pet que desenvolvem projetos com foco no bem estar e inclusão social dos animais de estimação.

“É um segmento que não pode mais ser ignorado. O convite para falar na Abrasel é uma prova disso. Nossa função é mostrar aos estabelecimentos os benefícios de serem receptivos aos bichinhos”, afirma Lurdinha. Ela considera que, apesar de já existir um bom número de lugares 'friendly' com os animais, Natal ainda está muito atrasada em relação a outros lugares. “Não temos políticas públicas e nem espaços específicos, como parques e cachorródromos, por exemplo. Então as iniciativas devem partir das empresas privadas”, ressalta.

Pensar as adequações que os espaços comerciais podem ter quanto aos animais, além de ser uma bonita ação, também possui um grande apelo comercial. Lurdinha Alencar ressalta que alguns dos melhores restaurantes  já aceitam os clientes que levam seus animais. Ela e sua equipe Pet Friendly já conduzem alguns projetos como o Cine Pet, que promove sessões de cinema em que as pessoas levam seus cãozinhos,  e o EnCãontro.RN, uma grande feira pet.

Fonte: Tribuna do Norte